Se hoje fosse o último dia

                             

Cortei as raízes enquanto cortava o cabelo

Deixei para trás o peso de ser quem eu era

Não me importo se eu abrir e não te responder

Se hoje fosse meu último dia

Eu não precisaria me dizer que não fiz tudo o que queria fazer

Porque a vida se tornou preciosa enquanto cozinho

E cada momento tem sido uma gota de ouro para mim

Eu me vejo por dentro, finalmente vivo no presente

Mas, houve um tempo em que eu constantemente visitava o passado

E a realidade era um buraco que se abria e,

conforme eu caía, aumentava  ainda mais.

E agora estou tão longe de lá

Fiz um lar para mim e não abrirei a porta para ninguém entrar.

Ninguém pode me machucar aqui

Ninguém pode me fazer sentir que não pertenço, não mais.

Não há mais memórias de tudo o que perdi

Mas, meu corpo ainda se lembra das coisas que tive que suportar, só para continuar sendo uma boa menina.

Foram tantos golpes, mas tive que continuar de pé

Só para preencher aquela sala, cheia de pessoas que me machucaram sem nem perceber.

E eu não me importo mais com isso.

Não existem mais portões altos demais, tremendo, esperando ele se abrir.

Me sentei à mesa e ouvi todas as coisas que me enterraram ainda mais fundo do que eu já estava.

Mas eu nunca expliquei o quão ruins elas eram para mim.

E quando volto lá, ainda sinto meu corpo colapsar.

Tomo um comprimido antes de ir.

Minha mente já se foi, mas meu corpo revive a cada passo que dou até chegar lá 

Mas eu não preciso mais fingir.

Já encontrei um lugar seguro para mim.

Mas se ninguém entender, que aprendam a lidar com a minha ausência. Nunca vão saber o tanto de veneno me fizeram beber.

E se hoje fosse o último dia

Eu partiria feliz, porque aprendi a me proteger

Ninguém vai me obrigar a ficar ou ir para onde eu não quero ir.

Não escuto mais, se começarem a  dizer, o que não é para mim.

Veneno em conta-gotas, que me mataria, mas, de alguma forma, ainda estou aqui.

Se hoje fosse o último dia

Eu não teria do que me arrepender, estaria bem aqui pra mim,

olhando cada pedacinho que eu construí.

Sentada na minha varanda, escutando o tri-li-lin.

Vivendo pra mim, porque agora essa é a única coisa que realmente me importa.


                                           


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